Em 1906, Ludwig Boltzmann se enforcou num quarto de hotel em Duino, no litoral do Adriático. Tinha sessenta e dois anos. Era um dos maiores físicos da sua época — e um dos mais rejeitados.
Boltzmann afirmava que a matéria é feita de átomos. Hoje qualquer estudante do ensino médio sabe disso, mas em 1906 era uma hipótese controversa: Ernst Mach, um dos físicos mais influentes da época, considerava os átomos uma “ficção conveniente”, o prêmio Nobel Wilhelm Ostwald negava de todo a sua existência, e o próprio Boltzmann era ridicularizado em conferências e tinha os trabalhos recusados. A ideia dele de que propriedades macroscópicas — temperatura, pressão — são a estatística de partículas microscópicas parecia pura metafísica.
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