Travessia Lia pediu em meados de março, por iniciativa própria.
Veio até mim na cozinha à noite, numa segunda-feira, com o caderno aberto numa página em branco, na qual, de antemão, no alto, a lápis, estava escrito, com a letra dela, uma palavra «conversa» (aos dez, apareceu nela o hábito de, antes de uma conversa séria, escrever na página o título dela — como cabeçalho em diário de laboratório, antes de começar o experimento; pra que, depois, se a conversa começar a desviar, voltar e conferir). Sentou-se em frente, pôs o caderno na mesa, lápis ao lado. Olhou para mim.
— Pai.
— Sim.
— Eu quero pedir a Noma que me conduza pelo travessia.